Novidades

26 de agosto de 2017

Brincar de Monstro


" Figura suspeita no fundo do quintal

Quando mais novo eu e uns amigos íamos para o fundo do quintal da casa de Dona Nadir, Nadir era avó de um amigo e a gente ia sempre para lá brincar no fundo de seu quintal. A casa era antiga e muitas gerações de sua família passaram por ali, o lugar era imenso e se perdia entre arvores, arbustos e mata, uns diziam que o mesmo era assombrado pelas almas dos entes queridos de Nadir e Julio seu sobrinho, como éramos crianças ignorávamos tais quesitos ate por que queríamos era nos divertir. Uma das brincadeiras mais populares entre nos era a “Brincadeira de Monstro” que funcionava da seguinte maneira, os mais velhos se fantasiavam de monstros, mascaras, vestes caracterizando da melhor forma possível, os mais novos iam para o fundo do quintal onde se escondiam afim de não serem pegos pelos supostos “monstros”. 

Em um dia de Domingo fomos fazer tal brincadeira, sempre de noite para dar mais emoção e sustos, eu era um dos que fantasiava assim como Fernando, Andre, Julio e Guilherme, o resto correu para o quintal a fim de esconderem, coloquei uma mascara do ghostface (pânico) e um lençol preto no corpo e sai para assombrar e pegar os fujões, eu se quer reparei nas fantasias dos demais que iam me ajudar. No fundo do quintal armamos umas tretas para dar mais susto na galera como: tambores e baldes com querosene, espantalhos, marcas de tinta vermelha para simular sangue, entre outros. Em um momento da brincadeira escutei passos caminhando para o fundo do quintal onde havia um córrego que cortava o quintal, segui o barulho até que notei uma figura do outro lado do córrego, corri ate lá a fim de pegar o suposto fujão, quando cheguei à beira do córrego notei que a figura qual seguia era um dos “monstros” e chamei pelo nome de todos, só que essa figura não me respondeu, comecei a ficar assustado com a reação da mesma que parecia grogue e balançava levemente como hipnotizada com o soprar da brisa, aquilo me deixou agoniado e tentei me virar para ir embora, mas algo não deixava, aquela figura me encarava de forma assustadora, chamei novamente até que ela caminhou para o fundo do outro lado do córrego, me virei e fui caminhando ate a casa. 

No meio do caminho outra figura apareceu e essa eu vi nitidamente era alguém coberto por um lençol sujo de algo vermelho que imitava sangue, a figura acenou para mim e se foi a caminhar, não entendi nada e com muito medo chamei pelo nome dos meninos novamente e essa não me respondeu, já não estava sabendo o que estava acontecendo quando corri para a casa onde estavam todas as pessoas que brincavam que vieram em minha direção perguntando onde eu estava, respondi que estava no fundo do quintal e que vi duas pessoas fantasiadas há alguns minutos atrás e dei então detalhes das supostas fantasias, notei uma expressão de terror na cara de todos quando falei Andre então disse que estavam ali há uma hora e que a brincadeira já tinha acabado a muito tempo, e que todos me procuravam e que não tinha ninguém com tais fantasias, neste instante minha cabeça girou e os pelos de meu corpo arrepiaram, expliquei para eles o que tinha acontecido e ninguém entendeu muito bem, uns se que acreditaram. 

Até hoje não sei o que aconteceu comigo aquele dia, não sei quais foram às coisas ou pessoas que vi no fundo daquele quintal, alguns anos depois descobri através de Nadir que os parentes falecidos de Julio também compartilhavam de tal brincadeira, ela então me mostrou uma foto onde pude ver nitidamente alguém coberto de lençol branco sujo de tinta que simulava sangue, perguntei quem era e Nadir me disse que era seu filho Elton, já falecido, tremendo segurei a foto e a reparei por uns minutos notei então uma figura um tanto quanto estranha no fundo da foto, não podia ver o que era, mas algo me dizia que era a mesma figura que vi do lado oposto do córrego.

Se copiar colocar devidos créditos, obrigado!
Ass : Glaucow M Freitas