
Minha avó tem hoje
84 anos, vivia em Minas Gerais nos seus tempos de criança, isso em 1939. Sempre
que temos uma reunião de família ela nos conta suas histórias desta época,
quase sempre de fantasmas, demônios e seres sobrenaturais. Em umas dessas histórias ela relembra
quando morava na cidade de Paraíso. Moravam ela, uma irmã e seus pais em uma
casa grande, em uma fazenda isolada da cidade como toda boa casa assombrada
deve ser. Seus irmãos já homens e formados não viviam mais com eles. Era dia 24 de Dezembro, véspera de Natal, seus pais foram à cidade para as compras, porém devido a uma chuva
forte ficaram presos na cidade e não retornaram a casa nesta noite e então
ficaram as duas sozinhas em casa, ambas em torno de 12 anos de idade. Esta irmã
de minha avó sempre apresentou segundo ela, um comportamento estranho e nesta
noite fatídica provou que fazia sentido seu comportamento arredio e calado.
Chuva forte, relâmpagos seguidos de trovões, sons estranhos vindos de fora. De
repente a chuva para silêncio total, nenhum som audível… passam-se alguns
segundos e de repente os cães começa a latir e uivar, como se vissem algo que
devessem afastar da casa. Novo silêncio. De repente um dos cães começa a
chorar, um choro doído, como se estivesse sendo machucado brutalmente e
silencia, nessa hora as garotas trancam as portas e se escondem no quarto, ouvem
então barulho de passos ao redor da casa, mas não passos humanos, passos de
algo pesado e aparentemente com cascos e para bem em frente à janela do quarto.
A esta altura as crianças já estavam apavoradas, porém a irmã de minha avó como
que em transe se levanta, encosta a testa na janela de madeira, com os braços
pendurados ao lado do corpo e lá fica. Minha avó disse ter ouvido a respiração
do que estava lá fora, bufando na janela, como que farejando sua irmã e fazendo
com que os cabelos se movessem tamanha a força da respiração da criatura que
estava lá fora; Religiosa, minha avó começou a orar de nada adiantava, quanto
mais orava, mais a criatura se irritava e corria em torno da casa, até que em
certo momento se jogou contra a porta da sala, o som invadiu a casa e apavorou
de vez minha avó, sozinha na noite escura, apenas sob a luz de um lampião,
houve uma nova investida da criatura contra a porta, seguida de um grito de homem
como se sentisse muita dor, por várias vezes essa criatura se jogou contra a
porta como que querendo entrar em casa. Neste momento minha avó ajoelhou-se,
próxima a sua irmã que ainda estava encostada na janela em transe, segurou sua
mão e começou a orar novamente, como que por comando do demônio que tentava
entrar na casa, a irmã de minha avó foi em direção à porta e iria abri-la se
não fosse minha avó impedi-la empurrando- a contra a parede, mesmo assim ela
ainda se levantou e seguiu novamente para a porta, como se o demônio que
rondava a casa estivesse dando forças a ela; Minha avó conta que durante toda a
noite seguiu-se esse inferno, esse demônio rondando a casa, tentando entrar,
dando urros horrorosos e sua irmã completamente fora de si. Não dormiu aquela
noite. Pela manhã seus pais chegaram e a primeira cena: Um dos cães morto, como
que amassado, com as tripas para fora, como que pisoteado por alguma coisa;
Dentro da casa a segunda cena: Uma garota completamente fora de si, catatônica
e a outra aterrorizada. Ela contou a eles toda a história… Por acaso do
destino, uma de suas tias era de um centro de macumba, freqüentadora assídua e
recebia espíritos, sua mãe pediu a ela então que livrasse sua casa desse
demônio que atormentara as duas na noite anterior. Em uma das sessões do centro,
sua tia recebeu uma entidade de nome Vovó Bernabeu, e essa entidade disse que
era sim o próprio Demônio que estava em torno da casa, e tentava entrar para
matar sua irmã, pois ela havia sido prometida a ele. Segundo minha avó essas
foram as palavras do Demônio ao ser questionado do motivo de ter ido a casa: -
Num entrei… num entrei, mas vô entrá naquela casa e fazê miséria… vô acaba com
aquela minina, vô arrebentar as carne dela, vô faze ela sofrer… Ela é minha!!!
Ela é minha!!!… me deu eu vô levá… Eu levo… Eu levo…. Desse dia em diante, eles
viveram sob constante vigilância, com medo e não demorou muito vieram para São
Paulo, onde ela vive até hoje. Sua irmã teve um destino cruel: morreu jovem aos
24 anos, se matou após ter seu primeiro filho, dizendo numa carta que não
suportava mais os “tormentos” e que já estava farta da vida… Eu me pergunto:
Aos 24 anos??? Afirma minha avó que antes deste fato, anos antes, um de seus
irmãos ficou “rico” da noite para o dia. Sem dúvida esse irmão ao qual ela se
refere existiu, vejo através de fotos a fazenda e as cabeças de gado que ele
possuía, porém, também se matou poucos anos depois. Ela atribui a ele, a oferta
da vida de sua irmã ao demônio em troca da fortuna.
Essa historia foi
contada por um amigo e não tenho conhecimentos de sua veracidade
Se copiar colocar
devidos créditos. Obrigado !