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11 de julho de 2018

A História Por Trás da Música - Hotel Califórnia (Eagles)



"Hotel California" é a faixa-título do quinto álbum de estúdio da banda de rock americana Eagles. Lançado em 8 de Dezembro de 1976, o álbum vendeu mais de 16 milhões de cópias e foi considerado por muitos críticos de rock como o melhor álbum de todos os tempos. A música "Hotel California", escrita por Don Felder, Don Henley e Glenn Frey, ganhou o Grammy na categoria "Gravação do Ano" e se tornou a canção de maior sucesso do grupo.

"Hotel California" narra a história de um viajante cansado que fica preso em um hotel de luxo (que num primeiro momento parece convidativo e tentador, mas que se torna um pesadelo). Porém, a letra obscura fez surgir várias teorias sobre o verdadeiro teor da música. Muitos viam o Diabo na letra, outros um hospício, e até mesmo, o vício em drogas pesadas.

Entre dezenas das mais variadas teorias sobre a letra de "Hotel California", cito, abaixo, as mais famosas:

• Especulava-se que o "Hotel California" citado na canção se referia ao "Camarillo State Hospital", um hospital psiquiátrico localizado no município de Ventura, entre Los Angeles e Santa Bárbara, que esteve em operação de 1936 a 1997. Alguns famosos que sofreram de doenças mentais, tuberculose ou desintoxicação por drogas ou álcool, foram tratados em Camarillo, como Charlie Parker Jr, que se internou no hospital para se desintoxicar do vício de heroína. Após encerrar suas atividades, em Junho de 1997, o hospital, que seria destinado a se tornar uma prisão, acabou se transformando na Universidade do Estado da Califórnia. A maioria dos edifícios do Complexo foram preservados e restaurados, inclusive a torre com o sino das missões, original de 1930, e que é citado em um trecho da música ("eu ouvi o sino da missão").

• Uma das versões mais esdrúxulas era a de que o hotel realmente existia e era administrado por canibais, que devoravam os hóspedes.

• No entanto, a teoria que ganhou mais força era a de que "Hotel California" seria uma metáfora para o Inferno e que a música falava em adoração ao Diabo, já que a letra cita "tentar matar a besta" e "nós não temos este espírito aqui desde 1969". O boato foi alimentado pela concepção do álbum: a capa interna mostrava a fotografia de algumas pessoas no pátio de uma pousada espanhola e, em uma varanda, sobre elas, pairava uma figura sombria, que muitos associaram a Anton LaVey, que fundou a Igreja de Satã no ano de 1966, em San Francisco, Califórnia, EUA. A canção seria uma homenagem ao local onde LaVey escreveu a "Bíblia Satânica". Pesou o fato da "Bíblia" em questão ter sido publicada em 1969, data citada na música.
Alguns afirmavam que os integrantes do Eagles estavam envolvidos com ocultismo e eram discípulos de LaVey. Houve quem chegasse a apontar um fantasma na capa do álbum, que teria sido captado pela camera fotográfica, e que seria de um homem assassinado por La Vey em um ritual de sacrificio humano.

• Havia também quem associasse a música à toxicodependência e que "Hotel California" era um código para cocaína, levantando suspeitas de que a letra descrevia uma "viagem" sob o efeito da droga. A frase "Logo à frente, eu vi uma luz trêmula... Minha cabeça pesou e minha vista embaçou" seria uma alusão aos efeitos da droga. E vão mais longe ao afirmar que as iniciais de "Hotel California", H e C, significaria "High Cocaína", uma droga que depois que você experimenta não consegue mais largar.

Apesar de algumas versões terem seu fundo de lógica, Don Henley, um dos autores da música, desmentiu todas e declarou que a canção é uma alegoria sobre o hedonismo e relata o lado sombrio do sonho americano e sobre os excessos na América, principalmente no mundo da música.
O álbum teria como tema subjacente a corrupção de estrelas do rock pela decadente industria fonográfica de Los Angeles, e a faixa-título (Hotel California) descreve uma prisão dourada onde o artista entra livremente e depois descobre que não pode mais sair.
O verdadeiro "Hotel California" não é um lugar, mas uma metáfora para a industria da música, localizada na costa oeste, e seu efeito sobre músicos talentosos que se encontram enredados em sua teia de brilho.

E só para constar... O hotel que aparece na capa do álbum é o Beverly Hills Hotel, conhecido como o Pink Palace, muito frequentado por estrelas de Hollywood. E a "figura sombria", que aparece na varanda, e que muitos achavam ser Anton LaVey, era na verdade uma modelo contratada para posar para a capa do álbum.

O texto não e de minha autoria foi retirado de >>>
Leia mais: http://passeandopelocotidiano.blogspot.com

2 de dezembro de 2017

A Casa dos Esquecidos



O documentário apresentado no programa Conexão Repórter do SBT no dia 23 de agosto de 2012 intitulado “A Casa dos Esquecidos” mostrou a realidade do cotidiano de um hospital psiquiátrico da cidade de Sorocaba no estado de São Paulo. Para isto o produtor do programa infiltrou-se durante duas semanas como um empregado do hospital, sendo que mais tarde o repórter Roberto Cabrini também compareceu ao local para completar a reportagem investigativa realizando entrevistas com funcionários e internos que culminou com a visita do ministério público e outros órgãos públicos para analisar o que programa denunciara a respeito de maus-tratos, abandono e violência aos pacientes.

A realidade apresentada pelo documentário reafirma a urgência de uma questão que vem sendo discutida internacionalmente e na sociedade brasileira por décadas, que é a reforma psiquiátrica, que, aliás, se for analisada iniciou-se com o próprio surgimento da Psiquiatria, porém como entendida e vista atualmente é diferenciada e com inicio a partir da segunda metade da década de 1970, baseando-se na crítica do modelo asilar bem como as medidas de normatização e controle. A reforma psiquiátrica brasileira baseia-se na reforma italiana, com algumas diferenças e adaptações, sendo que conta com premissas de prestar diferentes alternativas de tratamento, desmistificar a doença mental e criar uma nova mentalidade a esse respeito. Tais premissas representam uma grande gama de mudanças em várias áreas como a política, administrativa, jurídica, social e técnica para culminarem na restituição da cidadania do louco. Para efeito de análise o caso do hospital Vera Cruz é utilizado aqui como exemplo e parâmetro de tal movimento reformista no Brasil.


Ao assistir o documentário percebe-se um cenário de abandono, demonstrada pela falta de zelo pela estrutura do hospital, bem como zelo diretamente aos internos, violência manifestada por agressões físicas entre os pacientes e psicológica generalizada, falta de condições de trabalho adequadas e de contingente de técnicos coerente a lotação. Externamente, o hospital apresentava condições regulares e sem maiores problemas aparentemente, porém era apenas uma máscara para as condições gerais, que internamente se mostraram de forma diferente, tanto estruturalmente como em questões de higiene. Foi mostrado que o hospital não possuía camas suficientes a todos os paciente, alguns deles dormiam junto a outros, algumas camas não possuíam colchões sendo que dormiam sobre a estrutura de madeira da cama, alguns deles deitavam-se ao chão. O produtor infiltrado no hospital em uma imagem externa mostra os cobertores em péssimas condições em sua maioria rasgados e desgastados sem condições de atenderem as necessidades de quem os utilizassem. Em várias imagens do documentário foram mostradas fezes pelo chão de corredores e quartos, o que além de ser uma situação desagradável conota implicações em questões básicas de saúde sendo que o produtor sentiu-se mau e com náuseas por vezes. Muitas vezes foi visto que os pacientes andavam nus pela instituição, em outro momento o produtor questiona uma funcionária que revela que havia pacientes que nas próprias palavras dela diz que “namoravam” abertamente e podiam ser vistos em algumas ocasiões “namorando”, em outras cenas vê-se internos sendo impedidos de circularem pelo local e serem trancados em alas por grades e bem como um deles foi visto sendo barrado da fila para realizar a alimentação no refeitório de uma forma inadequada e até agressiva, agressividade que também foi vista entre alguns dos pacientes. Também foi mostrado um dos internos, talvez amenizando a falta de funcionários trabalhando na lavanderia, um local com periculosidade, havendo necessidade de muito cuidado para lidar com o maquinário que apresenta certo risco o que era avisado por sinalizadores nas paredes bem como o cuidado de risco biológico, portanto havendo necessidade de utilização de equipamentos de proteção individual específicos, o que não havia de qualquer forma, estando então exposto livremente aos riscos de saúde e de vida. Para finalizar o relato das condições verificadas no documentário neste texto, mas que não representa um relato integral dos fatos finaliza-se informando que após o desaparecimento de um paciente o corpo de bombeiros foi acionado para localizá-lo nas regiões próximas ao hospital e que outro paciente morreu durante a realização da investigação para o documentário de acordo com o hospital por engasgamento ao se alimentar com um pão.


Considero a reportagem investigativa realizada de grande valia e que corrobora com a crítica do movimento da reforma psiquiátrica brasileira, pois que mostra os bastidores de um hospital, que embora particular, mas que se baseia num modelo asilar clássico e que retrata as condições possivelmente da maioria dos manicômios brasileiros aonde a exclusão, os maus-tratos, abandono, violências e desprezo são realidades vivenciadas constantemente. O que foi mostrado pelo programa é mais uma prova da falência de um sistema asilar para tratamento de pessoas com doenças mentais, o que, aliás, também está em desacordo com os modelos propostos pelo movimento de reforma que considera essencial a inclusão social, a assistência multidisciplinar e interdisciplinar de variadas formas de tratamento ofertadas aos pacientes de forma coerente aos seus casos e a comunidade as quais fazem parte, bem como está em desacordo com outras questões como a eliminação dos meios de contenção, o restabelecimento da relação do indivíduo com sua identidade através do corpo, a liberdade de expressão, a liberdade de acesso sem grandes restrições, formas propícias da liberação dos sentimentos entre outras e que por fim devolva a cidadania a cada um deles de acordo com as possibilidades específicas. A reportagem mostrou que o hospital não tinha apenas falta de condições materiais, mas também condições técnicas, práticas, de trabalho e contingente, em que nada favorecia aos pacientes a um tratamento mais adequado, sequer digno, bem como os funcionários ao menos de prestarem uma assistência básica, o que mais contribuía para a sobrecarga de trabalho e desgaste emocional destes que retornava de forma negativa aos pacientes como através de falhas de atenção e motivação dos funcionários e que o processo como um todo parece um ciclo vicioso e que estimula a uma dependência por parte dos pacientes, pois que se não têm tratamento adequado, não têm por consequência seus sofrimentos amenizados, menos ainda melhoras que os habilitem a reinserção e reintegração progressiva na sociedade e então permanecem no hospital que por sua vez recebe os recursos financeiros para permanência dos pacientes. Por fim constato que não houve inconformidades somente em relação a novos modelos mais justos, adequados e eficazes que a reforma psiquiátrica preconiza e propõe, contudo inconformidades relacionadas a fatores mais elementares inerentes a qualquer pessoa que é cumprimento dos direitos humanos. Contudo, o Ministério Público a partir da denúncia realizada pelo programa Conexão Repórter executou uma ordem de busca e apreensão no hospital Vera Cruz.

Assista ao documentário no link abaixo:
FONTE:
http://fabriciocorreasimoes.blogspot.com.br/2013/02/a-casa-dos-esquecidos.html