Elizabeth
Short era bela moça que almejava o sucesso e alcançou a fama de uma forma bem
fúnebre. Conheça uma das histórias mais misteriosas de Hollywood. Um eterno
caso sem solução, o Caso Dália Negra.
Antes de iniciarmos o estudo sobre o assassinato da
Dália Negra, vale advertir ao leitor que este caso tem a característica de
produzir aficcionados! De fato, é o caso de assassinato mais notório do século
XX, despertando a curiosidade de milhares de pessoas ao redor do
Mundo. Isto nos leva a um questionamento: Por que um assassinato simples
(de uma única pessoa) causou, e causa, este “turbilhonamento emocional” em
todas as pessoas que tomam conhecimento deste obscuro caso ocorrido no final da
década de 40?
A resposta estaria na brutalidade com que o corpo da jovem fora violentado e
dilacerado?
Estaria no fato de a morte trágica de uma bela jovem ser sempre traumático para
os que vivem e especulam como seria o seu futuro?
Seria o fato de o criminoso não ter deixado pistas que a polícia pudesse
seguir, fazendo com que este se transformasse, por tanto tempo, em um
caso sem solução?
Seria pelo fato de que o corpo dilacerado e inanimado da jovem fora deixado de
forma a montar meticulosamente uma imagem surreal, como se o assassino
estivesse tentando deixar uma mensagem artisticamente macabra para a
humanidade?
Seria, ainda, a imediata participação da mídia, a qual fez com
que o caso, em poucos dias, fosse apresentado ao Mundo, com todos os detalhes
terríveis, bem como a frustração da polícia em desvendar o crime?
QUEM FOI ELIZABETH SHORT ?
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Elizabeth Short nasceu em Hyde Park, subúrbio de Boston, a 29 de julho
de 1924 e vivia com sua mãe em Madford, Massachusetts. Filha de Cleo e Phoebe
Short, possuía mais quatro irmãs. Seu pai, Cleo, abandou a família em 1930, e
então a Sra. Phoebe assumiu sozinha os encargos de criar as cinco filhas. Em
1942, Elizabeth Short era uma jovem muito atraente e estava cursando o segundo
ano do ensino médio quando resolveu abandonar tudo e seguir para Miami, onde
conseguiu um emprego de garçonete. Em Miami conheceu o major aviador Matt
Gordon Jr., com quem passou a se corresponder com frequência. |
Em
janeiro de 1943 viajou para Santa Barbara, California, onde conseguiu um
emprego no Posto de reembolsável da Base Militar de Camp Cook. Sua permanência
aí também foi curta, pois descobriu que seu pai vivia em Villejo, localidade
próxima onde ela estava. Numa aproximação com o pai, acabou indo morar com ele,
mas como a convivência entre ambos não foi satisfatória, Beth retornou para
Santa Barbara em setembro de 1943.
A
jovem admirava a farda militar e gostava de frequentar os bares e clubes
noturnos, onde ficava rodeada de militares. A 23 de setembro, logo ao retornar
a Santa Barbara, foi presa por consumir bebida alcoólica; ela tinha apenas 19
anos. Em acordo com as autoridades, foi liberada para retornar à casa de sua
mãe em Madford.
Durante todo o período da guerra continuou escrevendo para seu namorado, o
major Gordon, e, em abril de 1945, ele a propôs casamento. Beth estava pronta
para ser a esposa de um oficial e levar a vida que ela planejara para si, por
isso aceitou o pedido.
Esta
estória poderia parar por aqui com um “...e viveram felizes para sempre...”,
contudo quando o major Gordon retornava para casa no inverno de 1945 sofreu um
acidente na Índia e morreu.
Desorientada saiu de casa novamente para a Florida, arranjando um emprego,
também de garçonete, em Miami Beach. Novamente, desiludida retornou a Madford
em fevereiro de 1946. Desta vez foi trabalhar como caixa num cinema. Este
trabalho deve ter acendido suas esperanças de sucesso, pois era uma jovem muito
bonita e gozava de certa liberdade, não seria difícil imaginar uma carreira
promissora como atriz em Hollywood. Assim, partiu em abril daquele ano para a
California com destino ao glamour de Hollywood.
Em
Hollywood passou por várias pensões e hotéis, dividindo quartos com diversas
outras garotas durante todo o restante do ano de 1946.
O
sonho de estrear no cinema, ostentando um nome artístico famoso seria
realizado, mas não em vida. Até então ela era apenas Elizabeth Short, vista com
vida pela última vez a 9 de janeiro de 1947 ao sair do bar do Hotel Biltmore.
O CRIME
Era
manhã, por volta das 10:30h, quando uma mulher residente local que caminhava
com sua pequena filha encontrou o corpo jogado na grama próximo a calçada, no
cruzamento da 39th Street e Norton Avenue em Leimart Park, Los Angeles. Atônita
e mal podendo falar dirigiu-se a algum local nas vizinhanças e ligou para a
polícia.
O
repórter do Los Angeles Examiner, Will Fowler, que escaneava as frequências da
polícia em busca de furos jornalísticos, e seu fotógrafo, Felix Paegel, foram
os primeiros a chegar à cena do crime. Esperavam encontrar um homem bêbado
caído ao lado da calçada, mas o que encontraram foi o corpo de uma bela jovem
seccionado ao meio na altura do tórax, com algumas outras mutilações.
Como
chegaram antes dos policiais, ficaram livres do tradicional isolamento da área
do crime e puderam tirar cuidadosamente suas fotos que chocariam o Mundo
inteiro.
Em alguns minutos chegaram os primeiros policiais fardados da
LAPD’s University Division e, em seguida, os investigadores Harry Hansen e
Finis Brown, designados para o caso.
A
disposição do corpo revelava certo cuidado por parte do assassino. Ele não
jogou apenas os restos mortais no terreno, mas os dispôs na posição correta,
tronco e braços acima e pélvis e pernas abaixo, guardando o cuidado de manter
um desalinhamento e separação entre uma e outra parte, para que se percebesse,
logo à primeira vista, que estavam separados. Os braços foram colocados acima
da cabeça como indicando uma pose artística. A boca da vítima fora rasgada
quase que de orelha a orelha, lembrando um macabro sorriso.
Não
havia sangue espalhado, como seria de se esperar de um corpo tão severamente
mutilado; também não havia qualquer fragmento de osso que indicasse uma ação
com instrumentos grosseiros e inadequados.
Os
detetives encontraram próximo ao corpo alguns sacos de cimento (vazios) com
traços de sangue, possivelmente utilizados para carregar o corpo de um carro
até o local onde foi depositado no chão. Também encontraram pegadas de sapato
impressas com sangue, certamente do assassino.
Como
nenhuma identificação fora encontrada perto da vítima, ela recebeu a
denominação de “Jane Doe Number 1” e o corpo foi removido para autópsia.
No
dia seguinte o chefe legista do município de Los Angeles, Dr. Frederic Newbarr,
divulgou seu laudo que dava como causa mortis“hemorragia e trauma
devido a contusão cerebral e lacerações na face”, resultante de múltiplos
golpes com instrumento contundente. A incisão no corpo fora realizada
pelo abdômen e, então, através do disco intervertebral entre a segunda e a
terceira vértebras lombares, num procedimento chamado hemicorporectomia.
Certamente um trabalho de um profissional da medicina treinado em cirurgia. Dr.
Newbarr estimou a hora da morte em cerca de 24 horas antes do corpo ser
encontrado, portanto por volta das 10:30 h do dia 14 de janeiro de 1947. O
assassinato ocorreu em outro lugar, onde se deu o procedimento cirúrgico, e
após o corpo foi transportado para o local onde foi encontrado.
Neste momento ainda não se conhecia a
identidade da vítima. Como havia uma grande ânsia de se resolver o caso, a
Polícia de Los Angeles permitiu mais uma vez que a imprensa tomasse à dianteira
nos procedimentos; assim, o editor do jornal Los Angeles
Examiner propôs aos detetives utilizar o moderno equipamento de foto
fac-simile do jornal para transmitir o cartão com as digitais da vítima para o
escritório de Washington, de onde agentes do FBI poderiam rapidamente levá-lo
para a Seção de Identificação. Este procedimento permitiu que a polícia
chegasse rapidamente a identidade da vítima, mas deu mais material para
que jornal explorasse o caso. A jovem assassinada era
Elizabeth Ann Short, de 22 anos.
O CASO DÁLIA NEGRA
O
caso do assassinato da Dália Negra tomou vulto e notoriedade jamais superados
no século XX. É verdade que as circunstâncias e componentes do caso são
traumáticos: assassinato de uma jovem tão bonita, a crueldade aplicada tanto na
morte quanto na mutilação posterior do corpo, a falta de pistas do criminoso,
etc. Contudo, podemos apontar como um dos fatores determinantes para a
notoriedade do caso, o grande envolvimento da imprensa.
De
fato, a rápida chegada da imprensa ao local, com possibilidades de fotografar o
cadáver antes que a polícia fizesse seu isolamento e a fácil aceitação do LAPD
(Departamento de Polícia de Los Angeles) da contribuição da imprensa no caso,
manipulando evidências (e noticiando-as também), permitiu a divulgação do caso
numa escala jamais vista. Exemplo disso é o fato de que a tiragem do
jornal Los Angeles Examiner no dia 16 de janeiro foi a maior
deste jornal, somente superada pela edição especial do dia da Vitória.
Outra
contribuição da imprensa para o caso que definitivamente o tornou uma
notoriedade foi o nome dado à vítima, Dália Negra. Elizabeth Short em vida
nunca teve um nome artístico, porém o nome que a imprensa lhe deu jamais será
esquecido. Este nome provavelmente foi inspirado num romance de Raymond
Chandler,The Blue Dahlia, que retratava uma estória de assassinato e
mistério; e fora filmado em Los Angeles no verão de 1946.
A
“contribuição” da imprensa aparentemente prejudicou muito o curso da
investigação, haja visto que logo após ser noticiado várias pessoas se
entregaram à polícia de Los Angeles alegando serem os verdadeiros assassinos da
Dália Negra, confundindo o curso da investigação e gastando muitas horas-homem
de cansativas investigações. Levando-se em conta que mais de 50 pessoas
assumiram a autoria do crime, o trabalho dos investigadores quase
se inverteu, deixando de procurar provas que incriminassem determinado
suspeito para procurar provas que inocentassem o suposto assassino réu
confesso!
O CASO DO ASSASSINO DO BATOM VERMELHO
Utilizando a parceria da imprensa, o LAPD (Los Angeles Police Departament)
resolveu mudar de tática e aceitar um dos confessores, Joseph Dumais, deixando
publicar que o caso estava resolvido, mesmo tendo provas que Dumais não era o
criminoso, apenas um desequilibrado. A tática consistia em utilizar o
egocentrismo do assassino contra ele mesmo e forçá-lo a se entregar.
Acreditava-se que, sendo outra pessoa reconhecida como o autor deste crime
notório, o assassino se sentiria roubado em sua fama e daria um novo passo se
entregando ou cometendo algum erro que o denunciaria.
Sua reação foi a pior possível e inesperada. Além de não se entregar, cometeu
outro assassinato. A vítima foi Jeanne French, uma aspirante a atriz que
ganhara alguma fama em Los Angeles, posteriormente havia trabalhado como
enfermeira e fora uma das primeiras mulheres a adquirir o brevê de piloto nos
Estados Unidos. Seu corpo foi encontrado nu a 10 de fevereiro de 1947 (apenas
dois dias após ter sido noticiado a prisão de Joseph Dumais e o fim do caso
Dália Negra) em um lote vazio na Grandview Avenue, cerca de 7 milhas de onde
fora encontrado o corpo de Elizabeth Short. Em seu corpo fora escrito com batom
vermelho FUCK YOU e assinado B.D. (Black Dahlia).

Jeanne sofrera vários golpes no
tórax, rosto e cabeça e teve sua boca cortada à semelhança de Elizabeth Short.
A causa mortis foi determinada como resultado da perfuração do coração por uma
das duas costelas quebradas pelos golpes. Logo após este crime, e fracassada a
tática da polícia, Dumais foi solto e considerado apenas um desequilibrado. A
imprensa se apressou em apelidar o caso de Assassino do Batom Vermelho.
A autoria deste crime foi, inicialmente, ligado ao Caso Dália Negra, contudo a
falta de provas fez com que os crimes fossem tratados separadamente e continuam
a compor o rol deCold Cases do LAPD. Muita coisa se falou e se
investigou sobre o caso Dália Negra, contudo nunca se ultrapassou a barreira de
uma simples coletânea de indícios circunstanciais. O primeiro investigador designado
para chefiar o caso, Harry Hansen, aposentou-se vinte e três anos depois sem
esconder a sua frustração com o caso não resolvido. Outros investigadores que o
sucederam, da mesma forma, se aposentaram sem qualquer progresso.
O ASSASSINO
Muitos anos após, e estando quase esquecido o crime, um detetive aposentado do
LAPD, chamado Steve Hodel lançou novas luzes sobre o caso. Em 1999, após a
morte de seu pai George Hodel, encontrou um intrigante álbum de família
composto por fotos de pessoas que aparentemente significavam muito para ele e
que guardara com muito cuidado durante várias décadas. As pessoas que apareciam
nas poucas fotos eram duas de suas ex-esposas, alguns de seus filhos, a nora
(do primeiro casamento de Steve) e, curiosamente, duas fotos de Elizabeth
Short, aparentemente pouco tempo antes do assassinato. Em uma destas fotos,
Elizabeth Short aparentemente estava nua ( a foto fora recortada para ficar do
mesmo tamanho das demais e mostrava apenas seu rosto e parte dos ombros nus).
Desde este momento Steve iniciou um intenso trabalho de investigação sobre seu
pai, George Hodel, o qual praticamente desconhecia, pois o estilo de vida e a
postura distante da família que assumira durante toda a sua vida formava uma
verdadeira muralha em volta de seu caráter e de seus atos durante toda a sua
vida. Suas descobertas foram assustadoras, revelando George Hodel como um homem
excêntrico, de extrema inteligência e capaz de realizar atos dos mais brutais
já imaginados. As diversas ligações de George Hodel com o caso (embora
circunstanciais) parecem não deixar dúvidas de que ele foi realmente o autor
deste bárbaro crime, além de muitos outros. No entanto viveu livre e
confortavelmente até os últimos de seus dias com mais de 91 anos.
GEORGE HODEL
Desvendar George Hodel foi uma tarefa que demandou muitos anos de investigação
de seu filho Steve Hodel. O resultado de suas pesquisas foram inicialmente
divulgadas no seu livro The Black Dahlia Avenger, lançado em 2003 nos Estados
Unidos.
George Hill Hodel Jr., filho de imigrantes russos, nasceu em Los Angeles em
1907. Seus pais se preocuparam muito com sua formação intelectual e educação
formal. Aos 9 anos de idade já era um exímio pianista e fora escolhido para dar
um recital para a comissão belga que fora aos Estados Unidos para as
celebrações aos franceses. Seu QI excepcional, 186, situava-se um ponto acima
do de Albert Einstein, o que lhe rendeu vários anos no programa de pesquisa de
QI do Dr. Lewis Terman.
Em 1923, com apenas 15 anos, ingressou no California Institute of Technology em
Pasadena. Porém, sua prodigiosa carreira como engenheiro químico foi
interrompida pela sua expulsão resultante de sua tendência para o lado obscuro
da vida (as razões são incertas, informa-se que foi por motivo de ter
engravidado a esposa de um membro da faculdade ou por jogar poker, jogo proibido).
Trabalhou inicialmente como motorista de taxi e em outros pequenos empregos.
Trabalhou também como jornalista, porém em 1928 ingressou no programa médico da
University of California em Berkeley, onde se graduou em 1932. Por volta desta
época, estava casado com Emilia, sua primeira esposa, e já tinha um filho
chamado Duncan, quando então conheceu Dorothy Anthony. Seu poder persuasivo
convenceu as duas mulheres em reunir todos numa única família. Dorothy deu à
luz uma filha, Tamar.
Por volta de 1939, estava trabalhando no L. A. Country Health Department, já
desvencilhado de Emilia e Dorothy, passou a viver com outra Dorothy, Dorothy
Huston, a quem chamava de Dorero para que seus amigos não
confundissem com sua esposa anterior. Desta união nasceu Steve e outros
dois irmãos. Futuramente se casaria com June, sua última esposa.
Em 1945 foi admitido na UNRRA (United Nations Relief and Rehabilitation
Administration), indo trabalhar, no início de 1946, na China. Lá, embora fosse
civil, possuía o posto honorário e as honras de general de três estrelas.
Retornou a Los Angeles em setembro de 1946.
Algumas de suas amizadas demonstram bem o seu estilo de vida. Sua grande
vocação para fotografia o aproximou do famoso artista surrealista Man Ray, o
qual mantinha contato muito próximo, com prolongadas reuniões noturnas regadas a
whisky e a entorpecentes, como cocaína. O próprio George Hodel pousou para
várias fotos de Man Ray.
Em 1949, apenas dois anos após o assassinato da Dália Negra, George Hodel foi
preso por estuprar sua filha, Tamar, de apenas 14 anos.
Tamar contou à polícia que George a drogou e a obrigou a fazer sexo oral com
Fred Sexton que, em seguida, copulou com ela; tudo na presença de George e mais
duas mulheres. Da mesma forma, após Sexton, George Hodel também a obrigou a
fazer sexo oral e copular com ele. Ainda contou que, na sequência, uma das
mulheres fez sexo oral com a garota. Tamar também contou que meses antes fizera
um aborto patrocinado por seu pai George Hodel.
Durante o julgamento, Fred Sexton admitiu ter feito sexo com Tamar, também uma
das mulheres que os acompanhavam admitiu ter feito sexo oral na garota.
O processo que fora um grande escândalo em Hollywood, e figurava como uma
condenação certa por incesto, sofreu um grande revés. George Hodel ao testemunhar
convenceu a todos de que era apenas uma sessão de hipnose onde nada de mais
acontecera; que Tamar era uma mentirosa compulsiva e seu lugar não era perante
o júri e sim numa clínica psiquiátrica; além de afirmar que as testemunhas que
admitiram o caso o fizeram apenas porque lhes haviam oferecido um acordo para
prendê-lo (o acordo com a justiça realmente existia, embora fosse para
confessarem e não mentir). O final foi a absolvição de Hodel e a completa
desmoralização de Tamar.
Décadas depois, a filha de Fred Sexton afirmou a Steve Hodel que sabia que
Tamar não estava mentindo pois seu pai a violentara diversas vezes entre os 8 e
14 anos de idade.
SADISMO SURREAL
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The Fantasies
(Man Ray e às
fantasias de Mr Seabrook-1930)
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As ligações íntimas entre o artista/fotógrafo surrealista Man Ray e George
Hodel, conforme estudos de Steve Hodel, foram muito além da vocação para
fotografias de George. Eles realmente dividiram ideias e concepções muito
distorcidas da realidade. Steve Hodel em nada exagera ao demonstrar a
influência de Man Ray em George Hodel. De fato, este o tratava como um
verdadeiro mentor, oferencendo-lhe diversas recepções noturnas em sua mansão.
Numa rápida pesquisa no Google, procurando-se o nome MAN RAY e
selecionando imagens, poderemos encontrar um obra sua de 1930 que
muito bem parece inspirar o assassinato de Elizabeth Ann Short: The Fantasies.
Uma breve comparação com as lacerações sofridas por Elizabeth Short
deixa claro que o trabalho fora realizado por, pelo menos, mais uma ou duas
pessoas que se deleitaram num ritual de sadismo cruel.
Três comparações não podem deixar de
serem feitas: primeiro, observando-se o punho da mão direita, sugere-se que a
vítima estava amarrada pelos membros para um ritual sádico; segundo, sua púbis
fora retalhada com uma faca, deixando diversos cortes trançados, além de haver
uma grande incisão logo acima; terceiro, seu mamilo direito juntamente com a
auréola mamária fora estirpado tal como sugere a obra de Ray. Para completar o
quadro de ritual sádico, durante a autópsia foi encontrado fezes humanas na
cavidade oral, no interior da vagina e nos tecidos da cavidade pélvica.
Embora Steve Hodel aponte Fred
Sexton como suspeito número 2, ou possível co-autor, vale lembrar que Man Ray
suportou a pressão até que George Hodel foi preso em 1949 e julgado por incesto
com sua filha Tamar de 14 anos. Man Ray se mudou definitivamente de Los Angeles
apenas dois meses após o término do julgamento, indo morar na França, bem
distante do LAPD!
DÁLIA NEGRA NO CINEMA
Finalmente, depois de mais de cinco décadas de sua morte, Elizabeth Short
realizou seu sonho, estreando nas telas de Hollywood com um filme que carrega
seu “nome artístico” de grande força: Black Dahlia.
O
romance não procurou retratar a vida de Elizabeth Short e sim as consequências
(principalmente psicológicas) do seu assassinato para a vida de Los Angeles,
mas especificamente de Hollywood.
Atualmente já se sabe o bastante sobre a vida de Elizabeth Short e de George Hodel
(mais aceito como possível assassino), sendo assim uma nova produção na “grande
tela” mais baseada na história real certamente poderá causar maior impacto
que o atual filme baseado no romance de James Ellroy.
DÁLIA NEGRA NA
HISTÓRIA
Muitos pesquisadores se dedicaram anos a fio
para reconstruir a história do assassinato de Elizabeth Short e desvendar o
caso “Dália Negra”. Cada trabalho publicado colocou mais alguns tijolos nesta
obra macabra da humanidade. Alguns destes fazem o deleite daqueles que já se
tornaram aficcionados pelo caso e valem ser lidos. Como falamos no início, é
muito difícil conhecer um pouco da história deste assassinato e não querer
saber mais.
REFERÊNCIAS
GILMORE,
John. Severed, the true story of Black Dahlia. Amok Books. 2°Ed. Los Angeles,
2006.
HODEL, Steve.
Black Dahlia Avenger, the true story. Harper. New York. 2004.
HODEL, Steve.
Most Evil. Avenger, Zodiac, and the Further serial murder of Dr. George Hill
Hodel. Dutton. New York, 2009.
HODEL, Steve.
Black Dahlia Avenger II, the true story. Thoughtprint. New York, 2012.
(interessante complemento de mais seis anos de investigação)